22 dezembro 2014

O canal da Nicarágua


Canais de água para passagem de navios que cortam caminho pelo meio da terra já não são novidades há mais de 100 anos, graças aos canais de Suez e do Panamá. Ao encurtar caminhos, tais canais ajudam a diminuir custos de frete internacional (sim, estou falando da sua encomenda do Dealextreme).

Com o fenômeno da globalização se avolumando, a produção e comércio mundial de bens têm grande concentração ligada à China, e, ao que parece, o Canal do Panamá já não estava sendo suficiente para facilitar o transporte dos produtos oriundos da pujante economia chinesa.

Por este motivo, hoje inicia-se a construção do canavial (maldito Cinema de Domingo!) Canal da Nicarágua, que será cerca de três vezes mais extenso que o do Panamá, mas tendo o mesmo objetivo - ligar os oceanos Atlântico e Pacífico.

A empresa que construirá o canal e será responsável por sua operação se chama Wang Jing, e é chinesa, o que, por si só, já demonstra o interesse chinês em expandir suas relações comerciais com a América Latrina Latina, sendo que este comércio se magnificou de maneira mais forte nos últimos 15 anos.

Piadas à parte, os chineses estão fazendo um negócio da China: passam a ter maior acesso a países fornecedores de matérias-primas e a clientes onde poderão despejar produtos industrializados (e pirateados \0/) em grandes quantidades e a preços módicos, mantendo e, possivelmente, ampliando seu já enorme superávit na Balança Comercial com os países da região.

Eu fui, eu fui, eu fui, eu fui, eu fui, eu fui...do outro lado de lá...

E do lado de cá? Haverá vantagens? A princípio, a geração de empregos diretos e indiretos na Nicarágua, durante e após a construção do canal. Estima-se o uso de cerca de 200 mil pessoas na construção, e especula-se que o país deverá atingir crescimento econômico de 4 a 5% (se tivesse sido iniciada em maio, como era previsto, o país cresceria mais de 10%!) em 2014 e 15% em 2015. #PartiuNicarágua

Porém, como dizem os americanos, there's no free lunch. Tudo na vida tem ônus e bônus. Especificamente quanto a este projeto, o ônus parece ter o viés ambiental, e os ambientalistas, somados a sindicatos, ONGs e diversos representantes da sociedade civil têm feito manifestações contra a construção do canal, porque até o momento o governo do país não tem sido claro quanto ao impacto ambiental da construção do canal, inclusive com a obliteração de lagos em seu curso.

O custo estimado para a construção é da ordem de 40 bilhões de dólares, e também contempla um oleoduto, uma estrada, dois portos de águas profundas, dois aeroportos e duas zonas francas ao longo de seus 278 Km, que deverão receber cerca de 5% de todo o tráfego marítimo mundial.

Mais um dado: em novembro de 2013, em Manágua (capital da Nicarágua), durante reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômico-Comercial e Técnico-Científica da Rússia e Nicarágua, os representantes nicaraguenses manifestaram interesse em que a Rússia tivesse participação na hidrovia.

<teoria da conspiração mode on> : Bem que eu tava achando curiosa esta súbita reaproximação entre EUA e Cuba. Por que, após 50 anos, Washington demonstraria interesse em firmar posição em seu próprio quintal? Talvez o aceno de maior participação de Rússia e China na região tenha atiçado os ânimos. Frank Underwood pira!

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Enquanto isso, vá marcando seus sonhos de consumo aí no Ali Express e no DealExtreme! ;)

Mais informações aqui, aqui e aqui.

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