27 janeiro 2015

Apple - erros, acertos, rumores

Apple está na mira de Google e Microsoft

A Apple já não é a empresa inovadora que foi na época em que Steve doente Jobs era seu CEO. Mesmo assim, uma legião de pessoas continua a acompanhar a empresa e comprar seus produtos, acreditando cegamente em sua qualidade e na força da marca.
Mas qualquer pessoa que entende o mínimo de tecnologia sabe que o iPhone, por exemplo, não é o smartphone com as melhores especificações do mercado. Ele tem a seu favor, de fato, a excelente integração de software e hardware, que torna o sistema quase transparente para o usuário.

Mas, enquanto a Apple tem apenas mantido esta mística, Google e Microsoft têm nadado às braçadas largas. Um excelente artigo da Revista Exame, de ontem, aborda a atual tendência no rumo da virtualização (ou realidade aumentada, que seria mais preciso, a meu ver), com a recente compra do Oculus Rift pelo Facebook e a bombástica apresentação, nos últimos dias, da fantástica tecnologia HoloLens.

Nosso velho conhecido Pedro Burgos também tratou sobre esta tecnologia, no que me pareceu, a princípio, um desmerecimento, mas, de fato, ele realmente tem lá seus pontos sobre as dificuldades para sua implantação. Eu, como o Steve Ballmer, acho que o elemento central para seu sucesso é um só: developers, developers, developers, porque, sem ter quem desenvolva para a plataforma, esta será natimorta.

Mas o Google também não está alheio. Na verdade, o Google Glass está numa fase meio estacionária (não é de admirar, já que o HoloLens o transformou em um brinquedo!), mas a empresa não é de ficar parada, e deve ter outras cartas na manga, e o autor do artigo da Exame, que citei acima, lembrou bem: eles são donos da Magic Leap, e gigantes como Sony e Samsung têm lá seus desenvolvimentos na área também. E a MS ainda tem o Kinect.

O que nos leva de volta à Apple. Todo mundo se lembra da época em que a Apple apresentava seus conceitos e todo o resto fazia o máximo para acompanhar. Foi assim com o lançamento do iPhone e também no do iPad. Este último, na verdade, foi um caso de miniaturização, porque os Tablet PCs já andavam por aí desde 2001. Mas foi tido como uma inovação, e copiado à exaustão.

Desde a morte de Jobs, a Apple visivelmente diminuiu o ritmo - uma maneira delicada de dizer que se tornou apenas mais uma entre as outras - no que tange à inovação. Ela não iniciou a onda dos smartwatches, mas a seguiu. Após anos mantendo seu discurso relativo ao tamanho das telas de smartphones e tablets, cedeu, criando iPad Mini e iPhone6 Plus (e os vendendo como graaandes inovações! Para ter uma ideia do quão ridícula pode ser uma campanha, veja aqui).

Quando tentou seguir os passos do Google na área de cartografia, veio aquela bomba que foram os Apple Maps, que se transformaram imediatamente em chacota mundial e memes hilários.


E agora, em pleno desenvolvimento da realidade aumentada/virtualização, a Apple, mais uma vez, guarda silêncio. Tudo bem que eles sempre foram meio mineiros, comequietos, mas até isso era diferente antes da morte do Jobs, quando tudo ficava mesmo em segredo (exceção feita ao fato do Gizmodo US ter supostamente encontrado um protótipo do iPhone em um bar, mas há muita teoria da conspiração envolvida).

Depois que o Jobs morreu, os lançamentos da Apple estão mais vazados que os da Sony Pictures. Todo mundo aparece com fotos ou projetos do que poderá ser (e depois acaba sendo) o novo lançamento.

Mesmo assim, alguma coisa eles devem estar fazendo certo, já que em 2014 a empresa atingiu seu maior patamar histórico, com um valor de mercado de US$ 700 bilhões e o Tim Cook mais que dobrou o valor que recebeu como seu CEO (havia recebido R$ 4,2 milhões em 2013 e recebeu 9,2 milhões em 2014).

No momento, correm rumores de que em março a Apple finalmente lançará o Apple Watch e, também, um Macbooc de 12". Seja como for, ganharão muito dinheiro, mesmo sem ter inovado. Resta saber até quando uma empresa pode sobreviver sem inovar. A Sony, que já foi líder no passado, tem estado mal das pernas há alguns anos. Será este o caminho da Apple, ou será que ela conseguirá dar a volta por cima?

MRJ

Nenhum comentário:

Postar um comentário